15 May
15May

Ao longo da vida, nossos pais se dedicam arduamente para nos dar o melhor. Em muitas fases da minha vida, o melhor deles não foi o meu melhor, porém, a experiência e boa vontade deles, no final, mostraram que eles acertaram quase sempre.

Meus pais eram pessoas maravilhosas, vindos de cidades pequenas, acostumados a uma vida simples e dura. Meu pai, infelizmente, teve seu pai ao seu lado por pouco tempo. Minha avó era estrangeira, ela migrou para minha terra na juventude para escapar dos tormentos da Segunda Guerra Mundial. Ela era um anjo de pessoa. Quando ela se separou do meu avô, que também era migrante, ela construiu sua vida com outro homem, aquele que sempre considerei meu avô, uma pessoa boa e de temperamento muito difícil.

Meu pai sempre teve uma vida muito difícil, passando por várias dificuldades. Ele era um homem inteligente, mas teve poucas oportunidades. Já minha mãe era uma mulher muito inteligente e sempre se destacou nos estudos, mas também não teve muitas oportunidades.

Esta foi a minha base. Na minha infância, fui um menino feliz, sempre em busca de novas amizades. Aliás, cabe de passagem, sou um privilegiado, pois tenho amigos que me acompanham há mais de 40 anos. Não me lembro de nada de ruim da minha infância, só da surra que levei do meu pai e da minha mãe, porque eu era safado e fugia.

Sou o filho mais novo de uma família com três irmãos. Tive sorte e azar com a família da qual faço parte. Meu irmão mais velho sempre foi extremamente inteligente e, segundo minha mãe, tinha memória fotográfica. Meu irmão do meio, também muito esperto, sempre se destacou. E eu? Bem, eu sou o filho que ficou. Não sou tão inteligente quanto aqueles dois, mas aos trancos e barrancos construí minha vida. Sempre fui um homem de família, o que para mim é tudo.

Tive o privilégio de poder cuidar dos meus pais. Apesar de todas as minhas dificuldades, tentei fazer o meu melhor. Minha mãe terminou sua caminhada primeiro. Lembro-me do dia em que ela morreu, fui à festa de aniversário de sua irmãzinha. Ela estava radiante naquele dia. Eu os levei para casa. Infelizmente, 04 horas depois, fui acordado pelo meu pai, dizendo que ela havia morrido. Lembro que naquele momento parecia que eu estava vivendo um pesadelo. Quando cheguei na casa dos meus pais, ela estava deitada no sofá da sala coberta por um cobertor... meu pai estava inconsolável... eles estavam casados há mais de 50 anos... uma vida inteira juntos.

A partir daí, diante da depressão que atingiu meu pai, assumi as questões relacionadas a eles. Fiquei quase 10 anos cuidando dos bens dos meus pais, além de cuidar do meu pai até a morte dele. Como eles estão perdidos...

Com a morte de minha mãe, por uma série de motivos, foi feito o inventário dos bens de minha mãe em juízo. Demorou vários anos para ficar pronto. Enquanto isso, meu pai faleceu. Também tive que fazer um inventário de seus bens no tribunal.

Desde a morte de minha mãe, pedi a meu pai que fizesse um testamento. Ele não quis, porque disse que os filhos não brigariam. Grande erro!! Se eu soubesse o que aconteceria depois de sua morte, teria fugido para uma ilha remota no meio do Oceano Pacífico e ficado lá.

Sempre procurei ser um ser humano fiel aos meus princípios e aos meus sentimentos. Eu faço todo o possível pela família. Não tenho nenhum sentimento de raiva, mas tenho sentimentos feridos. Infelizmente, aquele que faz e coloca seu amor, na maioria das vezes fica queimado ou frito. Ninguém reconhece o esforço, as noites mal dormidas, o sofrimento, as dificuldades. É uma situação que não desejo nem ao meu pior inimigo.

Enfim, repetindo o título deste texto, se conselho fosse bom, a gente vendia... Fica um conselho para quem um dia pode estar nessa situação. Se você tem bens e tem herdeiros, resolva a distribuição de bens em vida. Não deixe esta situação para ninguém, pois pode levar à destruição de sua família. Infelizmente, quando se trata de dinheiro, ninguém se lembra da família, apenas dele mesmo.

Fica o pensamento: Na vida, entre fluxos e refluxos, aprendemos, caímos, levantamo-nos... a alma também permanece. Só resta a matéria, desejada, esquecida ou queimada até os ossos, que, com o passar dos anos, também desaparece. O que resta, afinal, é o amor, a caridade e a consciência.

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