12 Jun
44 anos e 45 anos - A estrela sobe ao céu e a Fênix renasce... Parte III

Após a partida da estrelinha, o mundo tinha ficado mais sem cor para mim e para a minha querida esposa. O nosso mundo, o nosso dia a dia, era direcionado a ela. Fiquei sem chão por alguns dias... Minhas expectativas, meus sonhos para ela se acabaram... fiquei vazio, sem objetivo...

Então, ainda nos primeiros dias, refletido sobre tudo o que eu já havia passado, pensei: "Quem precisa de mim agora?" A resposta veio que quase imediata.. além de minha querida esposa, meu querido pai. Ele precisava muito de mim, principalmente devido as perdas... minha querida mãe e minha estrelinha. Assim, pude me concentrar em reconstruir a minha fundação, focando na minha querida esposa e no meu pai. A partir daí, as coisas começaram a entrar nos eixos novamente, pois um ser humano sem objetivo, não passa de um viajante sem destino.

Alguns fatos relevantes que aconteceram neste ano em que a estrelinha se foi devem ser escritos aqui. Durante os meus 43 e 45 anos, trabalhei em um órgão estatal ligado a produção de documentos cartográficos. Confesso que tinha formação básica nesta área, mas não era a minha área de pesquisa. Além do mais, quando fui transferido para este órgão por extinção daquele em que eu trabalhava, fomos alocados sem nenhuma função correspondente a que realizávamos lá. Foi um verdadeiro caos. Obviamente, o dia a dia neste novo órgão era estressante e sem motivação. Além disso, minhas atividades docentes à noite continuavam para me dar alegria ao meu dia a dia. Era coordenador de curso de graduação na minha área. Dava aulas em cursos de especialização, Mestrado e Doutorado.

Um pouco antes da partida da estrelinha, o diretor deste órgão conversou comigo e percebeu meu desgaste e como era minha vida no dia a dia com a estrelinha. Eu disse a ele que gostaria de ser transferido para algum lugar em que eu pudesse ser mais útil. Ele, sabendo de minha situação, se compadeceu de mim e me ajudou. Graças a ele, eu pude ter uma luz no fim do túnel para minha carreira profissional, o que ajudaria muito com minha vida pessoal. O trabalho realmente enobrece a alma. Assim, mesmo a estrelinha ficando cada vez mais doente, comecei a procurar um lugar em que eu fosse mais útil... encontrei um centro de pesquisa.

Neste processo, encontrei o diretor da área de estudos neste centro de pesquisa que precisava de uma pessoa com a minha formação. Fiz entrevista com ele e, depois com a presidência do centro e seus diretores. Fui aceito lá 03 dias antes de minha estrelinha partir... Como Deus abre e fecha portas de maneira oportuna... Eu estava precisando de um novo desafio e um novo começo... isso me ajudou bastante na assimilação de minhas perdas... eu tinha um chão mais sólido novamente. Fui acolhido por este diretor de maneira carinhosa e respeitosa, além de ser acolhido pelos meus pares também da mesma maneira. Não tenho palavras para agradecer este diretor, hoje um amigo muito querido, pelo que ele fez por mim... é um dívida de gratidão que levo no coração comigo. Além dele, tenho pessoas maravilhosas no centro de pesquisa, as quais respeito e tenho o maior carinho com elas. Deixo aqui por escrito a minha gratidão.

Desta maneira, segui em frente na minha caminhada, apesar das perdas e dos percalços que tive. Ao longo do restante do ano, fui adaptando minha vida para cuidar dos meus bens mais preciosos: minha querida esposa e meu querido pai. Todos os dias ligava para a clínica na qual meu pai estava, controlava os remédios, o visitava quase todos os dias e via a sua recuperação. Desde que ele foi para lá, eu disse a ele que na hora que ele quisesse sair de lá, bastava falar, pois o quarto dele estava todo arrumado aguardando a presença dele. Felizmente, uma das decisões mais difíceis da minha vida, que foi encaminhá-lo para lá, havia sido acertada... agradeço a Deus até hoje por isso.

Meu pai era uma fênix renascida... apesar das perdas, a cada dia, ele ia se recuperando com o apoio dos amigos que ele fez na clínica e, penso eu, com o apoio de sua família... recuperou o peso, começou a voltar de sua viagem de depressão e a pensar em seguir em frente... isso me motivou muito depois da perda da estrelinha

Por outro lado, minha querida esposa tinha levado um golpe quase fatal em sua alma. A perda da estrelinha foi e é, até hoje, um fato de difícil assimilação para ela. Tentei compensar a falta da estrelinha levando minha esposa para viajar... não poupei recursos e esforços.. França, Itália, Inglaterra, Grécia, Portugal e Espanha... fizemos várias viagens ao longo dos anos, as quais serão mencionadas em outros textos... tudo para tentar trazer um pouco de alegria e luz, onde havia tristeza e trevas... de certa forma, foram viagens muito proveitosas e que ajudaram em nossa caminhada... Mas, não posso deixar de observar, são alegrias momentâneas que jamais substituirão o espaço deixado em nossos corações.

A vida, como um carrossel de idas e vindas, nos leva a encontros e desencontros, perdas e ganhos, paz e guerra, luz e escuridão, mas como seria a nossa vida sem a roda do carrossel? Como aprenderíamos a ser seres humanos melhores senão enfrentarmos as duas faces da mesma moeda?... somos caminhantes em busca da alegria de sermos, cada vez mais, nós mesmos e seres mais coletivos... todos somos seres humanos e merecemos dignidade e respeito..

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