19 Jun
A encruzilhada da alma

Me encontro em uma encruzilhada, na qual tenho vários trilhos e muitos caminhos... mas o que me leva a escolher qual caminho são as convicções construidas ao longo da vida... uma vida cheia de desafios, perdas e ganhos na qual construi, com muito esforço, as bases de quem sou. 

Me vejo na crença de que existe luz neste mundo coberto de sombras e espelhos. Sem luz não há verdade, justiça e caridade. Quero crer que existem outros que acreditam na luz e que procuram encontrar, nesta encruzilhada, um caminho que leve ao amor pleno, à paz e à sabedoria de saber que o sentimento que passa por nossas veias é a riqueza que se leva após o fim.

Viver é a arte do possível, entremeada pelo investimento no somos, preservando o "eu". Compartilhar o que sentimos e vivenciar as dificuldades, sempre tentando estar juntos, é a chave para um longo caminho na construção de um amor pleno. O equilíbrio está no ensinamento da ciência da paz, mais conhecida como paciência, e na compreensão mútua de que um mais um é mais que dois. O que cada alma sente e necessita deve ser dividida para a compreensão mútua.

Sem a confiança no partilhar aquilo que nos define, a união de duas almas nunca será completa. Entender o que importa para o outro abre as portas para uma fusão e definição do futuro dentro do nós. Ao acreditar na verdade, no que sentimos e intuimos, o coração se abre, apesar do risco, pois só assim a encruzilhada vai se tornando um caminho pavimentado.

Não há, na vida, a construção de uma via pavimentada sem passar por uma fundação sólida (verdade e confiança) e uma sub-base bem compactada (respeito e convicções), levando a liga que faz o caminho liso e sem percauços (amor e compreensão). 

Desta maneira, a encruzilhada da alma, apesar de sempre nos oferecer dificuldades e constantes mudanças, se torna a fusão de momentos, sentimentos e de vida, no simples ato de se estar juntos, o qual transforma o caos em paz e pavimenta a caridade para com o mundo.

Quem ama, cuida... sente... sofre... cresce... evolui... nada é fácil.... difícil é não viver... vazio é não amar... no fim, constroi-se o todo que desaparece na carne, mas é eterno na alma... tudo que se leva é o que foi amor... tudo o que fica é o que foi efêmero, comum e com pouco valor... bens materiais tangíveis.

Desta maneira, o fim da encruzilhada está no intangível, pois, no âmago da vida, a caridade engrandece a alma e dividí-la com outra alma e com a comunidade, unidas no caminhar da vida, na alegria e na tristeza, leva a evolução daquilo que se é para aquilo que somos.... e no fim, a certeza de ter vivido a real paz no amor e na ação fundamenta  a certeza de um bom combate e da eternidade da alma....

Acredite em si mesmo, nas suas crenças  e naquilo que sua alma te indica como o caminho da paz... escute o seu interior... esqueça o exterior que entorpece e te faz sempre o espelho dos outros... lembre-se sempre que nunca estamos sozinhos e que na verdade a encruzilhada está sempre em nós pelo livre arbítrio que temos.

Recebemos sempre o que plantamos... plante caridade e a caridade lhe será dada... O que tem valia é saber que o amor verdadeiro foi vivido de maneira atemporal, intenso e permanente, compartilhado com aqueles que amamos, sendo levado, no fim, para a eternidade .

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