13 Mar
O lamento de uma Alma

No mundo que eu conhecia, o interior era mais importante que o exterior. VIver em harmonia era a meta e a satisfação de amar e ser amado. A persistência era a palavra que dirigia o dia a dia. Não éramos perfeitos, mas éramos um do outro. Não importava os bens, que eram importantes para sobreviver, e sim a presença e a caridade.

O que construimos com o trabalho e sua renda sempre foi importante para nos sentirmos úteis e seguros para sobreviver, mas o que construimos por dentro tinha um valor incalculável e representava a luz que iluminava a força do viver e o propósito de amar. Ao longo do tempo, nos tornamos parte essencial um do outro, com erros e acertos, alegrias e tristezas, perdas e ganhos. Nada é perfeito, mas tudo é belo quando o amor e a cumplicidade tocam a alma e afinam o coração. Tive o privilégio de viver este caminho, mesmo que não tenha durado o que eu imaginava.

No mundo que estou conhecendo, o reflexo no espelho é mais importante do que a face do rosto quando se acorda ao amanhecer. Parecer muito e não construir nada são valorizados, enquanto o crescer como pessoa e enriquecer a alma, pouco são reconhecidos ou percebidos aos olhos. Onde está o olhar mais atento? Onde está a sensibilidade de se olhar por trás do espelho? Onde está a compaixão e a visão do interior que ilumina o olhar e alimenta a alma?

O que todos buscam é a felicidade, mas onde ela está? No mundo de ilusões e gastos desenfreados ou no mundo onde se encontra uma mão estendida, um sorriso de luz e um bem querer inexplicável. A nossa completude não está no ter, mas no querer, querer bem e dividir o espaço que se funde em um olhar de ternura e muita luz. Está no carinho despretencioso nos cachos de cabelo desarrumado que consola e revigora, do estar junto e sentir que o seu lugar é ali e que somos capazes de sobreviver a tudo se estivermos juntos. 

A felicidade não é uma amor desenfreado, mas um amor vivido, construído e desejado, onde dividimos tudo e ao mesmo tempo nada, porque apenas a presença te transporta para um lugar de paz. Em contraponto, a presença hoje é digital, pouco existe de espaço e de presença, sendo mais importante estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em lugar nenhum. Onde se encontra a felicidade, se o medo prevalece e a desconfiança impera. Não temos mais chance de nos conhecer, porque queremos, cada vez mais, coisas imediatas ao invés das coisas duradouras. 

Sem a chance de nos encontrarmos e nos desvelarmos, como construir uma ligação que nos transporte para o pequeno pedacinho de paz que todos querem construir ao longo da caminhada. Hoje o olhar é desatento e imediatista, não se gasta com compreensão e conhecimento, mas com desejo e satisfação momentânea, acreditando que um dia se acerte na loteria da vida, achando o que falta em sua alma.

Somos seres sociais e precisamos nos dar a chance de compartilhar o que somos para recebermos o que queremos. Temos que ser aquilo que acreditamos lá no fundo, pois só assim se construirá o verdeiro elo de uma relação duradoura, marcada pela paz e a felicidade de ser ter um ao outro. O tesouro da vida não são os bens materiais, mas sim os bens imateriais, os quais não se compra, não se vende e não podem ser substituídos ou consertados.

Nesta caminhada, colhemos o que plantamos.. logo, precisamos plantar com alegria e fé para colhermos os frutos de uma vida com amor, paz e união, mesmo com todos os desafios, erros e acertos, mas sempre com a sensação de pertencimento de um ao outro.

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