
Durante o período de 22 e 25 anos, perdi meu "dom" de ver almas, mas mantive o "dom" de ver as possibilidades de caminhos para as pessoas. Sempre me assombrou... às vezes era uma bênção e às vezes uma maldição.
Eu estava fazendo pesquisa na Universidade e senti que deveria deixar minha terra natal. Ele precisava crescer como ser humano e acredita que só saindo de casa aprenderia a ser melhor. Fui ao melhor centro de pesquisa existente no meu país na minha área, tive esse privilégio. Quando fui, tive medo de perder meu relacionamento... mas tinha que seguir em frente e minha namorada também acreditou nisso. Eu estava focado lá. Nos primeiros meses me senti sozinho... mas, com o passar dos meses, fiz amigos e fui conhecendo meus professores. Foi uma fase de muitos desafios e muitas conquistas. Ganhei uma bolsa pública, o que foi bem-vindo, mas cobriu apenas o básico. Consegui morar em um quarto alugado perto da Universidade. Era eu e meu computador, estudei até a noite na Universidade, mas fui recompensado. Havia uma bolsa melhor, mas faltava um projeto muito bem elaborado e um bom orientador. Com muito esforço, consegui um bom orientador e consegui minha outra bolsa, também pública, mas com valor melhor. Devolvi o anterior e repassei a quem precisava.
No campo dos sentimentos, passei por um turbilhão. Eu gostava muito da minha namorada, mas as tentações eram grandes. Naquela época, os chats estavam em alta... não existia nem a internet que temos hoje. Conheci muitas almas nos chats, conheci várias, mas nenhuma mudou o meu rumo (obviamente, note-se, acreditem ou não, permaneci fiel à minha namorada). Por um lado, eu me sentia mal, porque me parecia que a estava traindo, mas, por outro lado, me fazia sentir que meu destino estava com ela... Lembro-me de meu pai dizendo que eu deveria checar meus sentimentos e veja se o que eu senti era verdade... meu pai era um homem sábio, sem muita educação, mas ele me amava muito junto com minha mãe.
Em 02 anos e meio, terminei meu mestrado. Minha dedicação me rendeu um convite para fazer doutorado com um professor maravilhoso (ainda o considero meu segundo pai). Mesmo sendo convidado, segui um caminho que considerava um sonho. Fazer doutorado na melhor universidade do meu país, uma das maiores do mundo. Passei pelo processo seletivo, passei no teste de idiomas e consegui a vaga. Era um curso relacionado à saúde pública e considerei esse um caminho em que poderia ser útil (voltarei a isso mais adiante).
Infelizmente, meu orientador, que havia ido para outro país fazer seu pós-doutorado, não chegou a tempo para a defesa de meu mestrado e ela foi adiada por 05 meses. Quando a Universidade onde fiz o exame descobriu que eu não havia defendido minha dissertação de mestrado, fiquei feliz, mesmo com uma carta do meu orientador de mestrado confirmando a defesa do meu mestrado em 05 meses, uma pessoa muito conhecida na minha área de especialização. Eu estava muito triste.
Nesse período de espera e reparos solicitados pelo meu orientador de mestrado em minha dissertação, aceitei o convite para fazer meu doutorado na área de ciências biológicas, abrindo um espectro muito grande na minha área de atuação.
Eu já namorava minha esposa há 5 anos e mal podia esperar para darmos o próximo passo: o casamento. Assim, no ano em que defendi meu mestrado e escrevi meu projeto de doutorado, submetendo-o à aprovação de uma agência pública de fomento à pesquisa, fiz os preparativos do meu casamento. Minha namorada parecia uma estrela em ascensão. Voltei para minha terra natal e a ajudei a preparar tudo. Ela queria tudo a que tinha direito e mais... tivemos o apoio das nossas famílias. Inúmeras horas foram gastas no vestido... Tive que ficar no carro, bufê, convidados.
Ela sabia que eu ainda tinha um passo a frente, meu doutorado, mas aceitou trilhar esse caminho comigo. Ela disse que estava muito orgulhosa de mim... isso tirou um pouco do fardo de ter que ficar longe, mas não todo. Casei com ela e montamos nosso espaço. Tive que viver sem muitos recursos por um tempo, pois esperava a aprovação da minha bolsa de doutorado. Quinze dias depois de me casar, voltando da lua de mel, havia um presente para ser aberto, diferente de todos que recebi em meu casamento, minha bolsa foi aprovada.