21 May
Entre 35 e 37 anos - A Primeira Lição - Parte I

Logo, o novo ano veio trazendo raios de esperança e de paz. A estrelinha brilhava cada vez mais. Crescia a olhos vistos, mas carecia de muito cuidado e dedicação. minha querida esposa estava sempre com ela, enquanto eu fazia o que podia para garantir a segurança e a saúde das duas.

A rotina da estrelinha era pesada e constante... fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudióloga. Às vezes, desconhecemos o que as outras pessoas podem fazer por nós... estas almas e profissionais da saúde eram excelentes, carinhosos e tinham amor pela estrelinha e, indiretamente, por nós. Deixo aqui o registro do quanto devemos a elas ao longo do caminho da estrelinha neste mundo. Muito Obrigado! 

No campo profissional, progredia como professor e tentava buscar outra função laboral para dar mais segurança para mim e para a minha família. Fiz um concurso público para entrar em um centro de pesquisa governamental. Aguardava ansiosamente o resultado. Foram meses de nuito trabalho, com uma carga horária de trabalho na faculdade, atuando em diversos cursos, fazendo o que melhor podia pelos meus alunos. Ao refletir agora sobre esta época, eu comecei a construção do professor que sou hoje lá, naquela correria de aulas nos três turnos (manhã, tarde e noite). Foi quando eu soube que amava lecionar e que aquilo me fazia extremamente feliz. Fiz vários amigos, alguns hoje distantes, mas recordados por mim com grande saudade e carinho.

Em junho daquele ano, saiu o resultado do concurso para pesquisador e eu havia conseguido. Naquele dia, fiquei muito feliz, pois era um emprego que daria mais segurança para minha família. Iria trabalhar com pesquisas na minha área de atuação. O salário não era muito grande, mas era seguro. Continuei a leicionar à noite, pois precisava manter as condições necessárias para dar a minha estrelinha toda a condição de se desenvolver e poder ser cada dia um ser humano mais especial.

Durante este ano, a estrelinha ainda dava alguns sustos em mim e em minha mulher. Frequentamos hospitais com certa regularidade, todas as proteções possíveis eram dadas a estrelinha (vacinas, suplementos, equipamentos...) e com muita luta, a estrelinha fez seu primeiro ano. Em reconhecimento à importância da estrelinha e de todos aqueles que iam nos ajudando no caminho, fizemos uma festa de aniversário radiante para ela. Naquele dia, agradecia a Deus por vencer aquele ano e pedindo força e muita luz para o próximo ano. Ao fim do ano, a estrelinha estava progredindo e nós vivendo luz e trevas, sol e lua, risos e choros, lágrimas de alegria e de tristeza. Assim, aprendíamos a cada dia que a vida deve ser celebrada com muita alegria, respponsabilidade, compreensão, caridade e amor.

Um novo ano veio... tínhamos sempre o apoio de nossos pais e amigos na caminhada e a estrelinha conquistava corações por onde passava. Lembro-me que havia conseguido meio horário de trabalho para cuidar dela. Ia para o trabalho, saia na hora do almoço, buscava a estrelinha e minha esposa, e íamos para a fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudióloga. Todos os dias a estrelinha trabalhava em sua missão de amar e ser amada por todos...como era radiante. Esta era nossa rotina, além de idas ao pediatra, ao neurologista, ao cardiologista... sempre cofiantes e sempre receosos.. a cada dia que passava, o amor que tínhamos por ela aumentava, como se fosse solo arrado e plantado recebendo a chuva e sentindo cada broto crescer.

No trabalho, continuava a buscar cada vez mais o meu espaço com muita dedicação, entusiasmo e foco. Minha aulas agora eram na minha área de atuação... trabalhava todas as noites, o que faço até hoje. Lecionar é uma das minha facetas mais queridas e apaixonadas, pois me dá muito prazer e alegria... era e é uma terapia maravilhosa, na qual os problemas desaparecem e a alegria prevalece.

Não posso deixar de registrar o trabalho magnífico feito por minha esposa, também educadora, tanto por seus alunos, quanto por nossa estrelinha. A sua labuta diária era pesada e árdua, mas o sorriso dela me encantava e me encanta até hoje.  Quando a via com minha estrelinha, via a mãe que era ela, linda, dedicada e cheia de luz. A estrelinha era a vida dela. Tenho orgulho da minha querida esposa, pois ela sempre foi guerreira e mãe, companheira e amante, luz e força. 

A estrelinha fez dois anos de idade... infelizmente, não conseguia andar, apesar de ter força nas pernas e uma grande vitalidade. Perguntas foram feitas, dúvidas sugiram, preocupações nos apavoravam... então fomos atrás das respostas... mal sabíamos o que estava por vir....

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