24 May
ENTRE 37 E 39 ANOS - Parte II - Uma experiência marcante...

A vida da estrelinha estava indo adiante, indo à escolinha todo dia, fazendo as suas atividades e vivendo a sua plenitude conosco. Com muita dedicação e esmero, estávamos tentando dar a ela o melhor que podíamos. Ela era um doce...

Ao longo do meus 37 e 38 anos, após anos de trabalho duro e gratificante como educador, fui convidado para coordenar o trabalho de conclusão de curso da faculdade que eu trabalhava. 450 alunos por semestre. Confesso que foi um grande desafio e, se não fosse pela ajuda dos professores, seria quase impossível. Foi uma experiência engrandecedora e gratificante, a qual me fez ficar conhecido. Pouco tempo depois, fui convidado a desenvolver um projeto pedagógico do curso de engenharia ambiental. Construí o projeto desde o início, refletindo sobre a formação que eu achava adequada para os meus alunos. Pensei nas áreas de atuação, naquilo que o mercado buscava e naquilo em que eu acreditava como educador. A matriz curricular do curso tinha ficado muito interessante. Veio a avaliação do órgão regulador e a nota foi muito boa para a época.

Com a aprovação do curso, comecei minha primeira experiência como coordenador de curso. Aprendi a gostar de coordenar e descobri que eu levava jeito para fazer isso. De lá para cá, coordenei 10 cursos de graduação em diferentes instituições e 03 cursos de pós-graduação. Acredito que no ato de coordenar, as estrelas são os professores e alunos... o coordenador é o facilitador, um maestro, em parceria com seus músicos. Se a música desafina, o maestro intervém junto aos músicos e ajuda, se a platéia (alunos) reclama, a gente revê os processos e o meio de fazer a música. Temos que fazer a música inspirar a plateia, fazendo-a querer ouvir cada vez mais as músicas e aprender com elas. O aprendizado depende da afinação e da sintonia entre os músicos e a plateia. Assim, deveria ser o espaço de aprendizagem.

Neste dois anos, aprendi muito sobre convivência, paciência, jogo de cintura e a resolver problemas... foi uma estrada cheio de pedras, cujo aprendizado foi fenomenal. Com esta experiência, comecei a viajar na minha terra natal, auxiliando no processo de implantação do curso em outros estados, visto a expansão que faculdade sofria...

Ao final destes anos, me convenci que tinha vocação para ser educador e que tinha jeito para coordenar... eu me sentia feliz fazendo esta tarefa... Sempre fui reconhecido pelos meus pares como um bom coordenador. No entanto, como é de minha personalidade, eu nunca fico satisfeito, busco sempre ser melhor... sempre.

Outro fato marcante nestes anos, foi o convite para dar aulas em uma Universidade pública de referência na minha área. Comecei com aulas na pós-graduação, acabei lecionando no Doutorado. Tenho orgulho disso, pois fiz grandes amizades e os alunos lembram de mim quando nos esbarramos na rua. Estes acontecimentos também ajudavam a tornar a minha vida mais leve, mesmo com os problemas da estrelinha... Lecionar era e é o meu mar aberto, sempre azul, sempre desafiador, sempre apaixonante... sempre me apego a meus alunos, sempre busco dar o melhor possível, sempre buscando ensinar a prática e o dia a dia da profissão, com a qual também sou apaixonado.

No campo do serviço público, fui sendo reconhecido como pesquisador, aos poucos, achando o meu caminho e fazendo o que era certo. Tenho saudades deste tempo... eu tinha muito trabalho e o sorriso da estrelinha... minha esposa sempre ao lado e sempre querida... obtive o respeito de meus pais, o que foi um dos maiores presentes de minha vida... eles tinham orgulho de mim.

No final de meus 38 anos, estava trabalhando em três empregos, dando aula em turmas de pós-graduação e coordenando cursos... foi quando decidimos viajar. Mas como?

Por incrível que pareça, estávamos fazendo 10 anos de casados e tínhamos a estrelinha... lembro-me que, no dia de meu casamento, prometi a minha esposa que realizaria o sonho dela, uma viagem a Paris. Foi então que ganhei uma passagem aérea com acompanhante para lá.. não havia pensado em ir por causa da estrelinha, mas as nossas famílias nos ajudaram. Minha esposa ficou 04 meses planejando a viagem e os lugares que iríamos. Via a felicidade estampada na face dela.

Logo, a viagem se concretizou... fomos na época da páscoa, a cidade estava cheia.. Assim que pisamos lá, andamos no Batou Mouche, Torre Eiffel magnífica. No dia seguinte, uma maratona por um roteiro de 12 horas andando a pé, Arco do Triunfo, Sourbonne, Jardim de Luxemburgo, Igrejas, praças, museus... terceiro dia o museu do Louvre, no quarto dia mais igrejas como a sacre couer, mais museus e, por incrível que pareça, ficávamos encantados com a arquitetura e peculiaridade da cidade.

Obviamente, teve o dia de compras de presentes para nossos amigos e familiares.. Foi quando descobri que adorava viajar e andar pela história... Tive o ímpeto de não voltar... mas, tinha a estrelinha, minha família, minha vida... queria que todos estivessem lá, vendo as maravilhas que estávamos vendo e vivenciar a história com seus próprios olhos... uma experiência transformadora.. o mundo é muito mais vasto em cultura, história e lugares do que eu jamais havia pensado... assim, continuou a primeira lição... somos um sopro dentro da vastidão e da história de nosso mundo.. sempre aprendendo, sempre se surpreendendo, sempre ampliando os horizontes, sempre buscando ser um ser humano melhor...

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