
Nos últimos tempos, tenho sido exposto a diversas situações, as quais, até então, me eram desconhecidas. Quase nunca peço favores ou ajuda, talvez porque ao longo de minha vida, sempre precisei lidar com meus problemas sozinho. Sempre preferi ajudar a ser ajudado.
Em meu processo de luto e ruptura, me vi sozinho e sem referência para me reerguer... em um primeiro momento, achei que não conseguiria me reerguer, superar a perda, na verdade, perdas. Sempre que perdia, me voltava para quem eu amava e precisava de mim... de certo modo, isso me fazia me sentir vivo e me dava um propósito para seguir em frente.
Mas, de repente, me vi só, incrivelmente só e comecei a sentir as perdas que tive no caminho. O interessante é que tudo veio de uma vez, como um trem desgovernado. A saudade e a busca por compreender por que isso estava acontecendo comigo estava me consumindo. Alguém me disse, não pergunte por que e sim para que... nem sempre as respostas são claras e muitas vezes nem são possíveis... elas estão na casa do Pai Maior.
As perdas que tive sempre me fizeram ser um ser humano melhor, pois sempre tirei alguma coisa de positivo delas. Procurei sempre cuidar da melhor maneira que pude daqueles que amo... me dedicando, a cada dia, a tentar fazer a vida delas melhor e mais feliz. Às vezes, eu conseguia, outras não, mas sempre fazendo o melhor que podia, no momento em que eu estava.
Ao longo do tempo, fui aprendendo minhas falhas e corrigindo-as. Mas, eu não sou um ser sobrenatural, como um super-herói que salva a todos no final. Por vários momentos em minha vida, me senti impotente perante os acontecimentos, como um barco sem motor em uma tempestade. Você percebe que vai virar e nada pode fazer... neste instante, você pensa que daria tudo para ter o poder de fazer, de trocar de lugar com quem está se afogando, pois a realidade é dura e dói.
Você se pergunta, muitas vezes, ao Pai Maior o porquê.. mas pensando bem, você deve se perguntar a você mesmo para que... para que isso está acontecendo, o que isso está te ensinando... ao mesmo tempo, existe aquele sentimento de tristeza porque você sabe que tentou ao máximo, dentro de todas as suas possibilidades, mas não foi o suficiente... e se pergunta: Pai Maior, porque não fui atendido, por que meu esforço não foi reconhecido? Mas, pensando profundamente, não podemos estar aqui a passeio... isso seria um desperdício de força vital... estamos aqui para aprender e a ajudar os outros a aprender.
Cada ser humano tem um caminho a traçar e um aprendizado a ser concluído.. não é destino, mas sim uma necessidade evolutiva em todos os sentidos. O Pai Maior está vendo e observando os caminhos que escolhemos e onde eles nos levam. Destas escolhas, as oportunidades de aprendizado vão aparecendo e seu caminho evolutivo nesta existência vai sendo trilhado. Não devemos achar que fizemos muito ou que fizemos pouco, não devemos fazer para sermos recompensados, mas fazer porque amamos, porque temos compaixão.
Já ouvi várias vezes até de mim mesmo que somos humanos e precisamos sentir calor humano, amor, alegria, tristeza, paz, medo... enfim, precisamos sentir. Isso faz parte do que somos... como é difícil ficar a vida toda fazendo sem esperar qualquer retorno, pois, por mais compaixão que temos, também precisamos, em algum momento que façam por nós. Então, de repente, ao ficar só, vários fizeram por mim, mostrando compaixão, amor e desprendimento.. que lição aprendida.. o Pai Maior está sempre ali e as vezes te responde de uma maneira inesperada..
Estou aprendendo que não estamos neste mundo sozinhos, mesmo quando os que você mais ama e a sua família não estão mais aqui... pessoas sem nenhum vínculo familiar mostram a você que a compaixão e o amor pelo próximo não se limita a vínculos de sangue. O que você planta ao longo de sua vida, você colhe em algum momento... Se você planta compaixão, você colhe compaixão.. se você planta amor, você colhe amor... se você planta tempestade, você colhe tempestade...
Então, de repente, não sei o que o futuro me reserva, só o que o passado e o presente me ensinam.. daí surge a resiliência.. resiliência em acreditar que aqueles que você mais amou, foram amados por você, mesmo com erros e acertos.. resiliência em acreditar que você fez o máximo que podia a cada instante por aqueles que você ama ou por algum desconhecido.. resiliência em acreditar que seu caminho ainda está sendo percorrido e que você está aqui para terminá-lo... resiliência por acreditar em você mesmo e na sua capacidade de se superar a cada dia...
O processo da ruptura e da perda nos faz retornar ao passado para rever atitudes, fatos e sentimentos, buscando lá no fundo da alma se havia algo a mais a ser feito e, principalmente, se o que poderia ter faltado estava a seu alcance... se não, você fez o que era possível... se sim, onde você errou, porque e como não repetir este erro... novamente, a resiliência aparece, pois somos aprendizes e temos que lidar com os acertos e os erros com humildade e compaixão por nós mesmos... temos que nos perdoar e perdoar ao outro...
O processo de luto e ruptura não pode resultar no desejo de morte, mas sim no desejo de honrar a vida, os momentos felizes e tristes, os aprendizados e o caminho que é construído por nós... aprender que a vida não acaba, mas que se reinicia a cada dia e que devemos honrar a vida sendo resilientes conosco e com aqueles que nos cercam..
Não é uma tarefa fácil, pois causa dor e sofrimento, mas também nos leva a nossa evolução como ser humano e como espíritos.. A vida não para, pois é um rio que flui para que aprendamos a sermos melhores..
Temos que ser resilientes com o que somos e acreditar, a cada respiração, que estamos evoluindo e que o fim da jornada se mostra no fim do aprendizado que viemos ter....
Isso é o sentido da vida... resiliência no amor, na compaixão, na luta, nos ganhos, nas perdas... sempre buscando ser útil a cada respiração e a cada minuto nesta existência.