
Atualmente, somos inundados de imagens de pessoas com o estigma da perfeição física. Várias pessoas de diversos segmentos publicando em seus espaços virtuais, a virtude de ser uma imagem bela e cheia de apelo para aqueles que veem.
Realmente, o apelo estampado faz com que várias pessoas busquem tal objetivo, independente do que este caminho pode reservar. Observo vários adolescentes se entregando ao apelo do corpo perfeito, chegando a extremos como anorexia para se admirarem como seres perfeitos na imagem do espelho. Até onde isso afeta a nossa alma?
Sim, poder olhar no espelho e ver o que se considera a perfeição chama a atenção, mas a pergunta é de quem? O que uma pessoa busca chamando a atenção para si mesma através do corpo? O que se alcança com isso é felicidade ou uma vida mais tranquila do ponto de vista material?
A sociedade atual valoriza a expressão da fluência sexual como auge do que se pode ser. Observa-se comportamentos fluidos e muito ligados ao eu, fomentados pela crença de ser um ser desejado. Me deparo com esta realidade quase que diariamente no local de trabalho, na academia, na rua, no supermercado... uma exposição alucinante do físico com a clara intenção de chamar a atenção e ser venerado como um ser perfeito.
sso pode funcionar para se obter ganhos financeiros, mas pode levar a um labirinto de sentimentos que não levam a completude da alma. Escuto comumente expressões que valorizam o ter em vez do ser, o que infelizmente tem se tornado o objetivo das gerações vindouras. A era digital trouxe o fenômeno da virtualização do relacionamento, do amor e da compreensão humana. Lembro-me do filme "Jogador número Um" de Steven Spielberg que aborda exatamente a existência de uma sociedade virtual, na qual você pode ser o que quiser, aonde quiser. Não existia a relação humana, pois viver sonhando era melhor do que viver a realidade nua e crua. Ao final, apresenta-se a constatação que a realidade é real e necessária.
Estamos vivendo também à luz desta realidade virtual, um choque de realidade humana, na qual as pessoas não conseguem lidar com a dor e a decepção, algo muito comum nas relações humanas e que aprendemos, a partir das alegrias e tristezas, a sermos seres humanos melhores e mais conscientes do que somos como indivíduos. Sem os tropeços e erros, não sabemos o que somos, o que queremos e o que realmente nos completa. Diante deste quadro, observo uma enxurrada de profissionais do psique que se colocam como possíveis guias para um melhor conhecimento de si mesmo e da assimilação de traumas causados por decepções e erros. Acredito que tais profissionais realmente podem ajudar e serem efetivos nisso, mas isso deve partir da vontade de cada um e não de auto anúncios nas redes sociais.
A que ponto chegamos? Valores como a verdade, o amor, a retidão, a honestidade e a ética estão cada vez mais raros nas pessoas. O medo está cada vez mais presente na vida das pessoas, visto a banalização e monetização do relacionamento humano, esquecendo-se que atrás daquilo que se vê, há uma alma que não está sendo vista e cuidada. Quando falo de minha bsuca por uma alma que possa compartilhar a minha vida, a resposta que ouço é que isto é muito difícil de se conseguir. Obviamente, diante desta realidade, estamos cada vez mais dependentes de visões externas, profissionais ou não, pois não conseguimos lidar com a realidade a que estamos expostos. Em muitos casos, as pessoas estão sendo criadas em redomas cada vez mais fortes impedindo as lições da interação humana, a qual é fundamental para evoluirmos como serres humanos.
Lá no fundo, todos querem o que quero... encontrar uma alma que seja compatível com a minha, que compartilhe da minha vida com sabedoria e prazer, sentindo-se completa apenas com a presença do outro, encontrando o seu lugar de paz e tranquilidade. Não é fácil viver, pois estamos expostos as bondades e maldades do mundo e de seus habitantes, mas é exatamente isso que nos faz seres humanos, vivendo e aprendendo com a dor e com a alegria, com as derrotas e com as vitórias. Somos seres sociais por essência e não há atalho para isso. Isso transforma o ser humano e mostra a finitude da vida e importância de a vivermos com responsabilidade, caridade e muita luz.
Aprendemos com a felicidade e com a tristeza, pois assim conseguimos encontrar a verdade que está atrás do espelho de cada ser humano que está vivendo. Sem isso, buscamos o instantâneo, a fantasia e a ilusão, sentimentos que se desfazem muito rapidamente.
Somos melhores que isso!!