18 Sep
O mundo e a vida como eles são?

Nos últimos dias, depois de receber um presente de luz, tenho me sentido um pouco triste e também aliviado. Minhas perdas sempre foram cercadas de eventos abruptos, dos quais nunca consegui me despedir. Desde então, tenho questionado minha vida e a realidade premente.

Acredito que passei 30 anos em uma espécie de "bolha", onde minhas convicções de vida eram verdadeiramente vividas em família. Minha vida sempre foi sobre família e viver de acordo com minhas crenças mais profundas. O que me deixa feliz, depois de sair dessa "bolha", é que minha família, amigos e colegas também, de certa forma, viveram esses preceitos. Mas agora, tudo mudou.

Fui jogado em um mundo que valoriza o digital, a exposição e o imediatismo. Os limites agora são definidos pelo que se deseja vivenciar, independentemente de se ter ou não os meios para isso. Os relacionamentos pessoais são hoje muito fluidos e carentes de comprometimento, marcados pelo conceito de "test drive" — experimentar, avaliar e, se não der certo, descartar, como se fosse fast food. Não quero menosprezar quem vive assim, mas me assusta a falta de comprometimento, a vontade de fazer as coisas darem certo e o brilho nos olhos.

Entendo que esse caminho pode ser menos doloroso e mais seguro para quem não quer sentir perda e dor. É mais fácil e menos complicado encerrar a experiência... sim, a experiência. Aquele salto no escuro, a sensação de correr riscos, de abrir o coração e criar relacionamentos mais duradouros está se perdendo. É cada vez mais difícil enxergar o que há dentro das pessoas, pois não conseguimos mais penetrar o escudo que todos temos que usar. Os relacionamentos hoje estão cada vez mais ligados ao externo e cada vez menos ao interno.

À medida que a cultura se deteriora cada vez mais em favor de um mundo aparentemente perfeito, o crescimento da alma tem sido cada vez mais enfraquecido. Isso também contribui para o rompimento dos relacionamentos familiares, para a importância de cuidar dos outros e da família e para a crença de que devemos viver a vida de acordo com nossas próprias regras, independentemente do que a vida nos impõe. O coletivo está sendo destruído pelo indivíduo.

Isso se torna cada vez mais claro quando se trata da imagem do "velho", que a sociedade cada vez mais vê como um fardo. Cuidei de "idosos" por quase toda a minha vida e não me arrependo; muito pelo contrário: tenho orgulho. Orgulho de poder retribuir àquele que me deu tudo ao longo da vida: caráter, verdade, apoio, ideais e educação, independentemente das circunstâncias financeiras. No entanto, ouço muito hoje em dia que esse caminho mina os sonhos dos mais jovens e que é melhor "terceirizar" a questão, porque o tempo passa rápido e temos que "aproveitar a vida".

Obviamente, cuidar nem sempre é possível devido às circunstâncias e à realidade da vida, e é necessário terceirizá-lo. O que questiono é o que mais importa em tudo isso... a caridade, traduzida aqui como amor, carinho e cuidado. Estar sempre presente e viver a jornada é importante para o nosso crescimento como seres humanos. Percebi que muito se fala e pouco se faz, pois estamos cada vez menos preparados para perdas, decepções, dificuldades e dores. Isso está se perdendo, pois está cada vez mais claro que a sociedade só quer os benefícios e cada vez menos as obrigações.

Todos parecemos ainda acreditar na caridade, mas ela está diminuindo. A realidade atual é muito mais de "cada um por si" do que de "juntos venceremos". O interesse coletivo está sendo substituído pelo interesse pessoal e extrapessoal... ou seja, estamos nos tornando números e imagens em celulares.

Escrevo este texto simplesmente como um desabafo, não para criticar, mas para expor o que vejo, cada vez mais, em cada esquina, em cada casa, no jornal, na TV e na rua... a vida está se tornando cada vez menos valorizada, e ter coisas, chegar ao topo, está se tornando cada vez mais importante.

Não podemos esquecer de onde viemos, quem somos e o que queremos ser. Sentir e refletir são a essência de quem somos, fazendo-nos ir além e reconhecer o melhor dentro de nós. Se somos apenas um som, uma imagem, uma sombra, fica mais fácil esquecer que somos seres humanos, sociais e coletivos.

Como já ouvi muitas vezes: "As necessidades de muitos se sobrepõem às necessidades de poucos ou de um só." Nisto reside a essência da sociedade... um coletivo. O mundo está, a cada dia, se transformando em uma ilha cheia de privilegiados, cercados por hordas de náufragos que vivem do que podem.

Precisamos urgentemente nos lembrar de quem somos e de onde viemos... Busquem a paz e a caridade!!

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