Em quantas passagens de nossa caminhada na vida, ouvimos estas palavras. Eu já perdi a conta. Na verdade, nas tramas da vida, quase nos encontramos em encruzilhadas, nas quais podemos não fazer nada ou podemos fazer a diferença.
Às vezes, fazer a diferença é dizer um bom dia, agradecer, dar um sorriso... não importa, apenas o gesto significa muito para alguém. Me pergunto, quase sempre, o que aconteceu com a nossa humanidade, com a visão do coletivo e do bem comum. O que vejo me deixa perplexo, pois esses sentimentos quase que desapareceram. O que importa hoje é quantos likes que você recebeu de um simples post. Vidas são preenchidas seguindo influenciadores que vendem a imagem da perfeição e de uma vida bem sucedida. O que aconteceu com os influenciadores que fazem o mundo melhor, aqueles que usam sua influência para combater injustiças, incentivar o bem e a caridade, somente desejando o bem a outro ser humano?
Isso quase já não existe mais. O sentimento de uma vida de trabalho duro e honesto, construindo sua família e chegando ao fim da vida, ver os frutos de sua dedicação e o legado que deixou. Ver que sua passagem aqui fez a diferença para alguém, mesmo que seja para poucas pessoas, deveria ser o legado de cada ser humano. Os agouros da riqueza, em uma sociedade consumista, na maioria dos casos desigual, com maioria da população tendo muito pouco e poucos tendo muito, só nos leva a uma triste constatação.. a vida hoje possui um valor muito pequeno. Hoje se ceifa vidas por esporte, por política, por discussão... enfim, cadê a caridade, o senso de humanidade, o amor pela vida e pelo mundo em que vivemos.
Na correnteza de cada vida e de cada ser humano, um sonho habita, qualquer que seja o credo, a cor, a raça, o sexo, o nível social... a felicidade. O problema por tráz disso é a falta de consenso sobre o que é felicidade. Isso denota uma falta de consciência global sobre as oportunidades de vida de cada ser humano. Quando nos lembramos da declaração dos direitos humanos, o que é, por certo, uma redundância necessária, visto a sociedade em que vivemos, vemos que o óbvio não é claro, que a vida se reveste de não direitos, e que se faz proeminente ter que declarar que todos tem direito a vida, educação, alimentação, saúde, dignidade. Quão triste é refletir sobre isso.
Porque somos moldados para sermos assim? A roda da economia esmaga a roda da vida, pois quanto mais temos, mais importante nós somos.. na era digital, a aparência é tudo, mesmo que seja um reflexo no espelho. Não podemos ser idelistas e dizer "não precisamos de dinheiro". Para vivermos e podermos ter acesso a uma vida digna, ele é necessário. Entretanto, mesmo precisando dele, ainda podemos realizar coisas fantásticas, em nome das nossas almas. Não aguentamos ver o que está atrás da cortina da nossa realidade, a pobreza, as mortes, a fome e a miséria. Muitas vezes, eu fico imaginando o que poderíamos fazer neste mundo cada vez mais tecnológico, se usássemos todo este poderio para melhorar a vida de cada um.
Mas, o poder corrompe, a cobiça corrói, a ignorância cega, o egoísmo leva a incosnciência.. e alma padece. Somos todos filhos da terra, da qual saimos e para qual voltaremos...mudar a nossa realidade hoje é muito difícil, pois somos a sociedade da informação, seja ela certa, falsa, com meias verdades, com maldade e inveja.. em um click destruímos almas ou construimos ídolos... mas, o que está por trás daquilo que refletimos sobre as informações? Porque julgamos instantaneamente um ser humano sem dar a ele a chance de se defender? Porque ceifar a vida de uma pessoa por uma informação, seja verdadeira ou falsa, se tornou uma ação justificável? Porque somos juízes e carrascos, sem imaginar que aquele ser humano, como qualquer outro, merece, pelo menos, ser ouvido antes de sucumbir? E se fossmos nós no lugar dele?
Estamos atravessando uma linha da qual não poderemos voltar... a vida é preciosa e o que cada uma constrói pode ser um legado para muitas pessoas. Se o ser humano é responsável por um ato que a sociedade considera passível de punição, seja ela qual seja, então que a justiça seja feita com a justiça devida, não o olho por olho e o dente por dente.
Perdemos a noção do quão importante é a vida e o que ela significa para as nossas almas. Somos seres sociais, precisamos de interação, de sentimentos e de atenção.. nunca teremos isso atrás de uma tela...estamos perdendo o que nos faz sermos diferentes... estamos perdendo a convivência que nos alenta e nos faz crescer... e, com isso, estamos perdendo a nossa sabedoria. Precismos contribuir para este mundo real e não para um mundo digital e intangível. Isso me lembra o filme jogador número um de Steven Spielberg, no qual a sociedade se esqueceu de viver para sonhar.
Logo, para as almas perdidas em pandemias, guerras, violência, fome, miséria.. o que temos a dizer? Nada a dizer a não ser sinto muito. Mas e se dissésemos "todas as almas são importantes!"...o quão isso mudaria o mundo?